ana muenzner

Welcome! Quando o tema é a vida, o trabalho, o humano… ——– Bem-vinda(o)! When it is about life, work and humanity…

Serendipindade – Não saber é permitido. E pode ser até melhor…

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“O que você faz profissionalmente?”

Mais uma vez esta pergunta que tem me acompanhando repetidamente! Rescentemente ela apareceu em uma conversa quando conheci o Luiz Fernando e Luiz Thomas, dois consultores independentes que trabalham em Curitiba[1].

Eu me perguntei: Se não tivéssemos criado rótulos profissionais (engenheiro, advogado…), como seriam nossas small talks? Como iríamos nos apresentar nesse tipo de encontro?

Algumas pessoas que me encontram perguntam de imediato “você já encontrou um emprego”? Alguns membros da família já se preocupam com isso, ligando à falta de emprego a algo insuportável. A maioria das pessoas se surpreende quando eu menciono que minha formação é de engenharia civil e planejamento regional, mas eu estou passando por uma mudança profissional e ainda em processo de redefinição de perfil.

Aqui, uma reação comum: “engenharia civil? Esse é o momento perfeito para retornar ao Brasil! O mercado carece de engenheiros e você vai encontrar facilmente um emprego.”

As vezes eu explico que não estou exatamente procurando um emprego, mas sim uma atividade profissional que, claro, proporcione meu sustento, mas, acima de tudo, traga satisfação e um senso de realização de propósito.

As vezes, atrevo-me a explicar que estou procurando por algo onde eu possa “ser” o meu trabalho. Eu quero usar o máximo de meu potencial e fazer a diferença na vida das pessoas. Eu quero deixar o meu legado e contribuir para tornar o mundo um lugar melhor de se viver. Claro que isso também é possível trabalhando com engenharia, mas minha experiência nesta área de trabalho me fez perceber que eu poderia estar usando meus recursos de forma muito melhor em um campo de trabalho onde desenvolvo meus talentos e tendências naturais, unidos a minhas paixões. Este movimento profissional era necessário para eu poder chegar lá. Caso contrário, eu teria aceitado ser uma engenheira frustrada, incapaz de usar o máximo de minhas capacidades – ao contrário, eu provavelmente estaria contribuindo para as estatísticas: “48% das pessoas estão infelizes no trabalho” (Jornal Hoje , edição de 11 / 07 / 2011)[2].

Naquele mesmo dia em que conheci Luiz Fernando e Luiz Thomas, pessoas que também ousaram uma mudança de carreira, percebi que tínhamos perguntas semelhantes:

“Como faço para dar o primeiro passo?

Como faço para chegar a uma idéia criativa que responda de verdade às exigências do mercado?

Será que eu vou conseguir ganhar a vida com isso?

E SE eu falhar?

TALVEZ eu deva esperar até que as crianças terminam a escola para sair do emprego… e depois começo a mudança de carreira.

QUANDO eu terminar o meu MBA, vou estar mais preparado… ENTÃO começo a transição de carreira”

Essa é o jogo do QUANDO/ENTÃO/TALVEZ. Talvez, talvez , talvez … e… Basta! Luiz e Luiz decidiram dizer BASTA e assumir o risco de começar a colocar suas idéias em prática. Eles se tornaram conscientes de que essas desculpas foram apenas adiando uma mudança de carreira. Eles estavam evitando assumir o risco de tentar algo novo. É difícil sair da zona de conforto, embora, intuitivamente, todos nós sabemos que podemos ir muito mais longe e fazer algo além de nossas possibilidades, se tivermos a coragem de assumir o risco. É tudo uma questão de cruzar uma barreira, lidar com o próprio medo, aceitar que as pessoas vão dizer: “você deve estar louco…”, e seguir fazendo a mudança mesmo assim.

Eu acho que o momento mais difícil é a fase da transição em si. Você acabou de dar o primeiro passo, começou o movimento e se jogou no campo do desconhecido e imprevisível. Dias nebulosos virão, talvez a segurança financeira será ameaçada e você terá que desenvolver resiliência para resistir aos altos e baixos e não desistir. Este é o momento em que você pode se pegar dizendo:

“Será que estou no caminho certo?

Meu Deus! Eu deveria ter aceitado aquele cargo de engenheiro…

Se eu tivesse aproveitado aquela oportunidada segura…

Se eu tivesse feito aquele concurso para ser funcionária pública… agora minha vida estaria garantida…”

Tenho observado que a maioria das pessoas que sobreviveu a essa fase e continuou acreditando que tudo daria certo, como os dois Luizes, tam algo em comum: serendipidade! Foi o Luiz Thomas quem me apresentou a este conceito. E eu não tinha a menor idéia do que ele estava falando…

Mais tarde eu encontrei uma palestra interessante do Corey Ford no TEDx. Ele é CEO da Matter Ventures, uma incubadora de US$2,5 milhões e aceleradora de start-ups. Foi muito inspirador e um alívio compreender através do Luiz e do Corey Ford o que realmente está acontecendo comigo nesta fase de vida. Estou experimentando com novas idéias e mergulhando num espaço desconhecido – o espaço do “não saber”. Ao mesmo tempo, eu percebo um forte campo de possibilidades e vou navegando através delas, até que uma estoure como pipoca e que poderá ser descrita como o meu “Trabalho”. Apesar de eu ainda não saber exatamente como descrever este trabalho, tenho uma idéia clara sobre o propósito dele. Percebo minha capacidade de sentir o potencial de diferentes estruturas e sistemas humanos que podem ser transformados e elevados a um nível muito superior ao que estão hoje. O que esses sistemas têm em comum é o potencial criativo e inovador de transformação e minha crença de que eu posso ajudá-los a subirem de patamar. Como eu vou conseguir fazer isso? Ainda não sei ao certo. Mas, por enquanto, tudo bem. Pela primeira vez na minha vida, não saber o que fazer é permitido.

Corey Ford chama isso de “A caminhada do bêbado” que um empreendedor tem que fazer. Ele defende a teoria (e a prática) que esta abordagem baseasa na prototipagem pode funcionar, como ele explica neste vídeo:

Como ele diz, a verdadeira inovação não acontece por meio de planejamento impecável, mas ela vem através da testagem de hipóteses, de pequenos passos experimentais, do ciclo de ir aprendendo e ajustando, aprendendo e ajustando, aprendendo e ajustando… e assim você acaba chegando a um lugar onde nunca poderia ter previsto ou planejado. Este lugar é, em geral, muito mais viável, executável e desejável do que qualquer coisa que você poderia ter alcançado se tivesse sentado na sua escrivaniha por dias a fio tentando chegar no plano perfeito.

Inovação tem tudo a ver com serendipidade.Você não pode planejá-la, mas você pode aumentar as chances de que ela aconteça.

O que eu descobri ao longo desta caminhada é que, uma vez tomada a decisão de me dar uma chance de experimentar o que realmente me realiza e tem significado para mim e para os outros, eu encontrei uma força poderosa que transcende a mim e minha vontade, uma força que me ajuda durante esta transição, alimentando minha busca.

Eu acho que essa jornada será um grande teste para o meu compromisso com a direção que eu decidi tomar na vida. É uma jornada que oferece oportunidades para experimentar, acertar e falhar. Acredito que os elementos básicos que tornam possível esta jornada estão relacionados ao impulso de aprender e servir uma causa maior, à necessidade de conhecer a minha verdadeira natureza e ao prazer de fazer algo que eu amo – We become what we behold (Dean Brown).


[1] Luiz Fernando de Azeredo Costa é consultor em gestão de mudanças organizacionais e de processos, coach e oferece treinamentos e educação corporativa alinhados com a real necessidade do cliente. www.azeredocosta.com | Luiz Thomaz é consultor de planejamento estratégico, financeiro e tributário e atua como coach na área empresarial, para sócios, diretores, gestores e líderes de rede; bem como, para profissionais que buscam aumento de performance, mudança e melhoria na qualidade de vida. www.thzdesenvolvimento.com.br

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