ana muenzner

Welcome! Quando o tema é a vida, o trabalho, o humano… ——– Bem-vinda(o)! When it is about life, work and humanity…

Sincronicidade – Evento 3: O encontro com uma fotógrafa, uma grande artista que me deu uma lição de criatividade

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Meus últimos posts foram relatos de um dia cheio de sincronicidades: uma série de eventos “mágicos” que acontecem de forma quase inacreditável. Este é sobre um evento que aconteceu no mesmo dia e teve um grande impacto sobre mim.

Depois de conhecer Celia e suas duas filhas (ver post sobre sincronicidade – Evento 2). Eu tive um encontro com uma fotografia que me serviu de comprovação para algo que venho aprendendo na facilitação de processos de mudança e transformação de sistemas sociais. Especialmente a citação abaixo começou a fazer mais sentido:

“O sucesso de uma intervenção depende da condição interior da pessoa que está intervindo.” (Bill O’Brien, ex-CEO da Hanover Insurance ).

O que é esta tal de “condição interna”?

Naquele dia eu saí de casa me sentindo muito leve. Isso não tem sido a regra ultimamente. Em tempos de mudança , mudando de um país para o outro, diante de situações desconhecidas e criando uma nova base da vida, eu tinha a expectativa de conviver com a tensão. Por isso tenho Procurado manter algumas práticas como meditação, técnicas de respiração, Qi -gong e ioga que realmente me ajudar a restaurar o alinhamento, o equilíbrio e me maneter relaxada em tempos turbulentos.

Naquela manhã eu experienciei a prática de meditação de uma maneria mais profunda e comecei a sentir uma leveza incomum, uma sensação de paz. Enquanto caminhava pelas ruas a procura de um lugar onde eu poderia tirar fotos de passaporte, eu ia pensando sobre o que poderia ter causado aquela sensação. Havia uma tranquilidade, uma plenitude – muito difícil encontrar palavras para descrever isso aqui. Enquanto eu caminhava, eu ia observando meus mundos interior e exterior, eu andava alerta, mas completamente relaxada. O que poderia ter causado essa sensação em tempos onde o estresse é a tendência global? Observei outros pedestres e a maioria deles parecia estar com pressa. O que torna possível para uma pessoa manter a sensação de paz e relaxamento dentro de grandes cidades, sob pressão, em fases de transição e diante da incerteza (também uma tendência global)? Eu não conseguia encontrar respostas, mas isso não me incomodou.

Fiquei feliz em ver um pequeno sinal indicando “fotos de passaporte aqui”. Eu precisava urgentemente resolver um processo burocrático e precisava das fotos. Burocracia vem consumindo boa parte do meu tempo desde que retornei ao Brasil . Eu não poderia ficar mais feliz ao ler recentemente no jornal que o Brasil foi elevado à posição 118ª (em 2013, era 116 ª em 2012), entre 189 países em termos de burocracia, segundo o Banco Mundial.

Finalmente eu consegui tirar as fotos tão necessárias. Só precisava esperar um pouco para recebê-las . A fotógrafa, trabalhando em seu computador, vira-se de repente para mim e pergunta: ” O que você faz profissionalmente?”
Em minha mente comecei a pensar: “Esta pergunta está em todo lugar desde que voltei para o Brasil. Tenho a impressão de que todo mundo que me encontra pela primeira vez, ou depois de muito tempo, faz esta pergunta. Agora … até mesmo no estúdio fotográfico? O que está acontecendo?”

Tem sido difícil para mim explicar o meu trabalho atual em simples palavras. Fica mais fácil quando sei um pouco mais sobre o contexto da pessoa que está fazendo a pergunta, pois assim posso facilmente dar exemplos concretos. Mas, nesse contexto, eu não conseguia encontrar uma única frase que explicasse o meu trabalho sem usar jargões do tipo “processos de inovação, lidar com a complexidade e a incerteza, mudança baseada na consciência, etc”.

Eu respondi educadamente : “Eu estudei engenharia civil, mas o que eu estou fazendo atualmente tem pouco a ver com isso.”

Ela disse: “Eu pensei que você fizezse algo relacionado a artes”.

“O que faz você pensar isso?” Perguntei curiosa.

“Eu não sei. Talvez por você irradiar algo leve, tranquilo e relaxado”. Ela respondeu.

Eu pensei: Oh, meu Deus! Isso é incrível. Alguns minutos atrás, eu estava me perguntando por que eu estava me sentindo em tal estado de relaxamento e tranquilidade e agora alguém me dá o mesmo feedback me olhando de fora? Agora eu estava realmente interessada na conversa e continuei perguntando:

” Mas o que exatamente faz você perceber isso?”

Ela disse que, ao longo dos anos, começou a desenvolver um senso para pessoas. Ela olha para elas através de suas lentes – boa metáfora para uma fotógrafa! – Ela continuou:

“Algumas pessoas são muito pesadas… entende o que quero dizer?” Ela tinha dificuldades para encontrar palavras para descrever o que queria dizer e deu um exemplo:

“Eu costumava pintar e trabalhar muito com arte. Mas parei de fazer isso por um tempo. Não sei se também tinha a ver com o momento difícil pelo qual eu estava passando, mas eu comecei a me sentir muito pesada. Me sentia estressada, tensa…”

Ela me contou como começou a trabalhar com fotografia ao assistir uma fotógrafa profissional: “Abri esta loja, e comecei a trabalhar com fotografia por conta própria, aprendendo a fazer na prática. As coisas começaram a acontecer e a dar certo sem muito planejamento. Então eu combinei fotografia com o negócio de aluguel de roupa – que estava na sala ao lado – porque eu vi em casamentos e festas que as pessoas precisavam disso também”. Ela apontou para um vestido que estava pendurado lá e disse: “Olhe para aquele vestido – Eu mesma bordei. E eu nunca fiz cursos ou aulas, só experimento e faço. Minhas mãos criam o padrão no momento. Com a fotografia foi o mesmo. Eu só comecei! E assim foi também com o desenho e a pintura. Agora eu deci

di levar as artes mais a sério e eu estou estudando na Belas Artes. E eu me sinto muito leve novamente.”

The photographer Rosaline Corazza and her drawings (crayon)

The photographer Rosaline Corazza and her drawings (crayon)

Rosaline era seu nome. Ela me mostrou os desenhos que estavam em execução, parte dos trabalhos que precisava entregar na Belas Artes. Eles refletiram imagens que tinham tudo a ver com a minha experiência vivendo na Zâmbia e viajando pela África, algo que ainda estava muito vivo na minha memória. Isso, de alguma forma, me tocou.

Eu acredito que a Rosaline tinha as qualidades pessoais e a sensibilidade que lhe permitiam observar o real estado interior das pessoas. É a capacidade de ver a si mesmo e ao outro como realmente são. Eu acho que é este o dom de um artista. Betty Edwards em seu livro “Desenhando com o lado esquerdo do cérebro” menciona que o desenho não é uma tarefa difícil. A dificuldade está em “ver”. Todo mundo que vê as coisas desta maneira especial que os artistas são capazes de ver, são também capazes de desenhar. Muitos artistas têm mencionado o fato de que eles vêem as coisas de forma diferente quando estão desenhando ou pintando e, normalmente, são colocados em um outro nível de percepção consciente que é diferente do seu nível comum de consciência. Neste estado subjectivo, até a percepção do tempo é alterada – na verdade, ela quase desaparece. Eles se sentem alertas, acordados, mas relaxados e livres de ansiedade. Experimentam uma atividade mental agradável e talvez até mesmo mística.
Talvez isso definisse o que experienciei naquela manhã. Era este o artista dentro de mim?! De qualquer forma, pensei que este tipo de percepção faz a pessoa ficar muito mais criativa e capaz de trazer ao mundo novas coisas e soluções. Esta foi a lição que Rosaline me deu através de seu exemplo e de como começou seu novo negócio do zero.

O estúdio fotográfico de Rosaline é na Rua das Flores em Curitiba. Se precisar de fotos para documentos, casamentos, festas, books, etc, dê uma passadinha por lá: https://www.facebook.com/EstudioJC.Ctba

Ela também escreve um blog e você pode encontrar ótimas histórias por lá: http://www.blogger.com/profile/09851047826945391047

A propósito, você já teve um encontro com uma pessoa aparentemente desconhecida que parecia ser tão familiar, que acabou tendo conversas muito interessantes e significativas, criando uma conexão inexplicável? Compartilhe suas histórias na caixa de comentários!

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