ana muenzner

Welcome! Quando o tema é a vida, o trabalho, o humano… ——– Bem-vinda(o)! When it is about life, work and humanity…


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Serendipindade – Não saber é permitido. E pode ser até melhor…

“O que você faz profissionalmente?”

Mais uma vez esta pergunta que tem me acompanhando repetidamente! Rescentemente ela apareceu em uma conversa quando conheci o Luiz Fernando e Luiz Thomas, dois consultores independentes que trabalham em Curitiba[1].

Eu me perguntei: Se não tivéssemos criado rótulos profissionais (engenheiro, advogado…), como seriam nossas small talks? Como iríamos nos apresentar nesse tipo de encontro?

Algumas pessoas que me encontram perguntam de imediato “você já encontrou um emprego”? Alguns membros da família já se preocupam com isso, ligando à falta de emprego a algo insuportável. A maioria das pessoas se surpreende quando eu menciono que minha formação é de engenharia civil e planejamento regional, mas eu estou passando por uma mudança profissional e ainda em processo de redefinição de perfil.

Aqui, uma reação comum: “engenharia civil? Esse é o momento perfeito para retornar ao Brasil! O mercado carece de engenheiros e você vai encontrar facilmente um emprego.”

As vezes eu explico que não estou exatamente procurando um emprego, mas sim uma atividade profissional que, claro, proporcione meu sustento, mas, acima de tudo, traga satisfação e um senso de realização de propósito.

As vezes, atrevo-me a explicar que estou procurando por algo onde eu possa “ser” o meu trabalho. Eu quero usar o máximo de meu potencial e fazer a diferença na vida das pessoas. Eu quero deixar o meu legado e contribuir para tornar o mundo um lugar melhor de se viver. Claro que isso também é possível trabalhando com engenharia, mas minha experiência nesta área de trabalho me fez perceber que eu poderia estar usando meus recursos de forma muito melhor em um campo de trabalho onde desenvolvo meus talentos e tendências naturais, unidos a minhas paixões. Este movimento profissional era necessário para eu poder chegar lá. Caso contrário, eu teria aceitado ser uma engenheira frustrada, incapaz de usar o máximo de minhas capacidades – ao contrário, eu provavelmente estaria contribuindo para as estatísticas: “48% das pessoas estão infelizes no trabalho” (Jornal Hoje , edição de 11 / 07 / 2011)[2].

Naquele mesmo dia em que conheci Luiz Fernando e Luiz Thomas, pessoas que também ousaram uma mudança de carreira, percebi que tínhamos perguntas semelhantes:

“Como faço para dar o primeiro passo?

Como faço para chegar a uma idéia criativa que responda de verdade às exigências do mercado?

Será que eu vou conseguir ganhar a vida com isso?

E SE eu falhar?

TALVEZ eu deva esperar até que as crianças terminam a escola para sair do emprego… e depois começo a mudança de carreira.

QUANDO eu terminar o meu MBA, vou estar mais preparado… ENTÃO começo a transição de carreira”

Essa é o jogo do QUANDO/ENTÃO/TALVEZ. Talvez, talvez , talvez … e… Basta! Luiz e Luiz decidiram dizer BASTA e assumir o risco de começar a colocar suas idéias em prática. Eles se tornaram conscientes de que essas desculpas foram apenas adiando uma mudança de carreira. Eles estavam evitando assumir o risco de tentar algo novo. É difícil sair da zona de conforto, embora, intuitivamente, todos nós sabemos que podemos ir muito mais longe e fazer algo além de nossas possibilidades, se tivermos a coragem de assumir o risco. É tudo uma questão de cruzar uma barreira, lidar com o próprio medo, aceitar que as pessoas vão dizer: “você deve estar louco…”, e seguir fazendo a mudança mesmo assim.

Eu acho que o momento mais difícil é a fase da transição em si. Você acabou de dar o primeiro passo, começou o movimento e se jogou no campo do desconhecido e imprevisível. Dias nebulosos virão, talvez a segurança financeira será ameaçada e você terá que desenvolver resiliência para resistir aos altos e baixos e não desistir. Este é o momento em que você pode se pegar dizendo:

“Será que estou no caminho certo?

Meu Deus! Eu deveria ter aceitado aquele cargo de engenheiro…

Se eu tivesse aproveitado aquela oportunidada segura…

Se eu tivesse feito aquele concurso para ser funcionária pública… agora minha vida estaria garantida…”

Tenho observado que a maioria das pessoas que sobreviveu a essa fase e continuou acreditando que tudo daria certo, como os dois Luizes, tam algo em comum: serendipidade! Foi o Luiz Thomas quem me apresentou a este conceito. E eu não tinha a menor idéia do que ele estava falando…

Mais tarde eu encontrei uma palestra interessante do Corey Ford no TEDx. Ele é CEO da Matter Ventures, uma incubadora de US$2,5 milhões e aceleradora de start-ups. Foi muito inspirador e um alívio compreender através do Luiz e do Corey Ford o que realmente está acontecendo comigo nesta fase de vida. Estou experimentando com novas idéias e mergulhando num espaço desconhecido – o espaço do “não saber”. Ao mesmo tempo, eu percebo um forte campo de possibilidades e vou navegando através delas, até que uma estoure como pipoca e que poderá ser descrita como o meu “Trabalho”. Apesar de eu ainda não saber exatamente como descrever este trabalho, tenho uma idéia clara sobre o propósito dele. Percebo minha capacidade de sentir o potencial de diferentes estruturas e sistemas humanos que podem ser transformados e elevados a um nível muito superior ao que estão hoje. O que esses sistemas têm em comum é o potencial criativo e inovador de transformação e minha crença de que eu posso ajudá-los a subirem de patamar. Como eu vou conseguir fazer isso? Ainda não sei ao certo. Mas, por enquanto, tudo bem. Pela primeira vez na minha vida, não saber o que fazer é permitido.

Corey Ford chama isso de “A caminhada do bêbado” que um empreendedor tem que fazer. Ele defende a teoria (e a prática) que esta abordagem baseasa na prototipagem pode funcionar, como ele explica neste vídeo:

Como ele diz, a verdadeira inovação não acontece por meio de planejamento impecável, mas ela vem através da testagem de hipóteses, de pequenos passos experimentais, do ciclo de ir aprendendo e ajustando, aprendendo e ajustando, aprendendo e ajustando… e assim você acaba chegando a um lugar onde nunca poderia ter previsto ou planejado. Este lugar é, em geral, muito mais viável, executável e desejável do que qualquer coisa que você poderia ter alcançado se tivesse sentado na sua escrivaniha por dias a fio tentando chegar no plano perfeito.

Inovação tem tudo a ver com serendipidade.Você não pode planejá-la, mas você pode aumentar as chances de que ela aconteça.

O que eu descobri ao longo desta caminhada é que, uma vez tomada a decisão de me dar uma chance de experimentar o que realmente me realiza e tem significado para mim e para os outros, eu encontrei uma força poderosa que transcende a mim e minha vontade, uma força que me ajuda durante esta transição, alimentando minha busca.

Eu acho que essa jornada será um grande teste para o meu compromisso com a direção que eu decidi tomar na vida. É uma jornada que oferece oportunidades para experimentar, acertar e falhar. Acredito que os elementos básicos que tornam possível esta jornada estão relacionados ao impulso de aprender e servir uma causa maior, à necessidade de conhecer a minha verdadeira natureza e ao prazer de fazer algo que eu amo – We become what we behold (Dean Brown).


[1] Luiz Fernando de Azeredo Costa é consultor em gestão de mudanças organizacionais e de processos, coach e oferece treinamentos e educação corporativa alinhados com a real necessidade do cliente. www.azeredocosta.com | Luiz Thomaz é consultor de planejamento estratégico, financeiro e tributário e atua como coach na área empresarial, para sócios, diretores, gestores e líderes de rede; bem como, para profissionais que buscam aumento de performance, mudança e melhoria na qualidade de vida. www.thzdesenvolvimento.com.br


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Serendipity – It is ok not to know! It can be actually better…

“What do you do professionally?”

Again this question that has been following me again and again! This was when I first met Luiz Fernando e Luiz Thomas, two consultants who work independently in Curitiba[1].

I wondered: If we had not created professional labels, what else would we talk about in our small talks or when introducing ourselves?

Some people ask straight away “have you already found a job?” Family members even worry about that. Most people get surprised when I mention that my background is civil engineering and regional planning but I am going through a professional change and still in the process of redefining my profile.

Here the common reaction: “Civil engineering? That is the perfect time to come to Brazil! The market is lacking engineers and you will find a job very easily.”

Then I usually explain that I am not exactly looking for a job, but for a professional activity that, yes, provides my income, but, even more, it provides fulfillment and a sense of purpose.

Sometimes I dare to explain that I am searching for something where I can “be” my Work. I want to use my highest potential in the work I do and that it makes a difference in people’s lives. I want to leave my legacy and contribute to make the world a better place to live. Of course this is also possible working as an engineer, but my experience in the field thought me that I could be of much better use in another field where my natural talents, tendencies and passions come together. This professional move was necessary for me to get there. Otherwise I would have accepted being a frustrated engineer and would probably not be using my highest capacity – in opposite, I would probably be contributing to the statistics: “48% of the people are unhappy with their work” (Jornal Hoje, Edition from 11/07/2011)[2].

That same day I met Luiz Fernando and Luiz Thomas, who also dared a career move like me, I learned that we all had similar questions:

“How do I take the first step?

How do I come up with a creative idea that responds to real market (and society) demands?

Will I ever be able to make a living from this?

What if I fail?

Maybe I SHOULD wait until the children finish school to step away from my job… and THEN I will make a career change.

WHEN I finish my MBA, I will feel more prepared… THEN I will do it.”

That is the WHEN/THEN/SHOULD game. Maybe, maybe, maybe and… Basta! Luiz and Luiz decided to take the risk and just start to put their ideas in practice. They became aware that those excuses were just delaying a career change. They were avoiding taking the risk and trying something new. It is hard to leave the comfort zone although intuitively we all know that we can go much further and do something beyond our possibilities if we just take the risk. It is all about crossing the threshold, dealing with your fear, accepting that people will say “you must be crazy”, and do it anyway.

I think that the toughest time is the transition. You’ve gave the first step, you’ve started the move and now everything is unknown and unpredictable. You will have to resist dark times, maybe the financial security will be threaten and you will have to develop resilience to resist the ups and downs and not give up. You may catch yourself saying:

“Am I on the right path?

Gosh! Maybe I should have taken that position as an engineer…

If I just had taken that safe opportunity…

If I had done that concurso to be a civil servant… now my life would be guaranteed…”

I have observed that most of the people who survived this phase and continued believing that everything would be all right, like Luiz and Luiz, have something in common: intentional serendipity! Luiz Thomas was the first person who introduced me to this concept and I had no idea of what he was talking about….

Later on I found an interesting TEDx talk from Corey Ford, CEO of Matter Ventures, a $2.5 million incubator and start-up accelerator. It was very inspiring and relieving to hear from Luiz and Corey what is actually happening with me in this phase of life. I am experimenting with new ideas and diving into the space of not knowing. I feel a strong sense of possibilities arising and I am navigating through them until one pops and can be described as my “Work”. I don’t know yet how to describe my Work, but I have a clear idea about the purpose of it. What I am sure about is that I can see the potential of different situations and systems to be transformed and elevated to a different level. What these situations and systems have in common is the creative and innovative potential for transformation and my belief that I can help them to go to the next level. How am I going to do it? That is not clear yet. But this is ok for now. For the first time in my life, it is ok not to know what to do.

Corey Ford calls it “The drunk walk” of an entrepreneur. He defends the theory (and the practice) that this prototype-driven approach can work, as he speaks in this video:

As he says, real innovation happens not through perfect plans, but it comes through making some hypothesis, taking little experimental steps, learning and adjusting, learning and adjusting, learning and adjusting… so that you end up in a place you never ever could have predicted, but it is much more feasible, viable and desirable than anything you could have come up with if you were just sitting down trying to come up with the perfect plan.

Innovation is all about how you increase intentional serendipity. You cannot plan for it but you can increase the chances to make it happen.

What I have discovered along the way is that, once I decided to give a try to what I truly care about and to accomplish things that really matter to me and to others, I found a powerful force beyond myself and my conscious will, a force that helps me during this transition, nurturing my quest.

I guess this journey is going to be a test for my commitment to the direction I have taken. It will offer opportunities to trying, experimenting and failing. The drive to learn and serve a bigger cause, the need to know my fundamental nature, and the joy of doing something I love are the basic elements that will make this journey possible – We become what we behold (Dean Brown).


[1] Luiz Fernando de Azeredo Costa é consultor em gestão de mudanças organizacionais e de processos, coach e oferece treinamentos e educação corporativa alinhados com a real necessidade do cliente. www.azeredocosta.com | Luiz Thomaz é consultor de planejamento estratégico, financeiro e tributário e atua como coach na área empresarial, para sócios, diretores, gestores e líderes de rede; bem como, para profissionais que buscam aumento de performance, mudança e melhoria na qualidade de vida. www.thzdesenvolvimento.com.br


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Syncronicity – Event 3: The encounter with a photographer, a great artist who taught me a lesson of creativity.

My last posts were about a day full of synchronicity: a series of “magical” events coming together in an almost unbelievable way. This one is about an event that happened in that same day and had great impact on me.

After meeting Celia and her two daughters (see Syncronicity – Event 2). I had an encounter with a photograph that served as a kind of proof to what I have been learning regarding facilitation of change processes and transformation in social systems. Especially the quote bellow started making more sense:

“The success of an intervention depends on the interior condition of the intervener.” (Bill O’Brien, former CEO of Hanover insurance).

What is this “inner condition” about?

That day I left home feeling really at ease. That has not been the rule lately. In times of change, moving between countries, facing unknown situations and creating a new base of life, I would expect me to be very tense. This is why I have been trying to keep up some practices like meditation, breathing techniques, Qi-gong and yoga which really help me to restore alignment, balance and be relaxed in turbulent times.

That morning I had a very profound meditation practice and was feeling an uncommon lightness and at peace. While walking on the streets, looking for a place where I could take passport photos, I was wondering about what made me feel like that. There was a sense of tranquility and wholeness – very hard to find the right words here. As I walked, I kept observing my inner and outer world, I was awake yet relaxed. What could have caused that sensation in times when stress is a global trend? I observed other pedestrians and most of them seemed to be in a hurry. What makes possible for a person to maintain a sense of peace and relaxation in big cities, under pressure, in transitional phases and when facing uncertainty (also a global trend)? I had no answer, but that didn’t bother me.

I was happy to see a little sign indicating “Passport photos here”. I needed it urgently for a bureaucratic procedure. Bureaucracy has been consuming a lot of time since my return to Brazil. I couldn’t be happier as I read in the papers recently that Brazil was elevated to the rank 118ª (2013, it was 116ª in 2012) amongst 189 countries in terms of bureaucracy according to the World Bank.

Eventually I took the photos I urgently needed and had to wait to pick them up. The photographer, working at the computer, suddenly looked at me and asked: “What do you do professionaly”?

In my mind I was wondering: “This question has been all around since I returned to Brazil. I have the impression that every single person asks me that. Now… even in the photo shop!? What is going on?”

It’s been hard for me to explain with simple words what my work looks like. It is easier when I know something more about the context of the person who is asking and can give concrete examples. But in that context I could not figure out how to explain it in a single sentence without using jargons such as innovation processes, dealing with complexity, uncertainty, awareness based change, etc.

I answered politely: “I studied civil engineering, but what I am doing currently has basically nothing to do with this.”

She said: “I thought you did something related to arts”.

“What makes you think that?” I asked curiously.

“I don’t know. Maybe because you irradiate something light, tranquil and relaxed.” She replied.

I thought: Oh my God! That is amazing. Some minutes ago I was just wondering why I was feeling in such a state of ease and now someone gives me the same feedback from outside? I was now really getting interested and continued asking:

“But what exactly makes you perceive that?”

She said that she has developed a feeling for people; she looks at them through her lenses – good metaphor for a photographer! – She continued: “Some people are very heavy… do you know what I mean?” She had difficulties to find words to describe it and gave an example to what she meant:

“I used to paint and do a lot with arts. Then I stopped doing it for a while. I don’t know if it was also because I was going through a tough time, but I started feeling very heavy; I felt stressed and tense.”

She told me how she started working with photography by watching a professional photographer: “I opened this shop, and ended up working with photography on my own, learning by doing. Things started happening without much planning. Then I combined photography with the renting-clothes business – which was in the adjoining room – because I saw at weddings and parties that people needed that.” She pointed out to a dress that was hanging there and said: “Look at that dress – I stitched it myself. And I never took courses or classes; I just try and do it. My hands create the pattern in the moment. With photography it was the same. I just started doing it. This is the same with drawing and painting. Now I decided to take arts more seriously and I am studying at Belas Artes[1]. And I feel very light again.”

The photographer Rosaline Corazza and her drawings (crayon)

The photographer Rosaline Corazza and her drawings (crayon)

Rosaline was her name. She showed me the drawings she was currently working on for her art’s studies. They mirrored some images I had from my experience of living in Zambia and traveling around Africa which were still fresh in my mind. That somehow touched me.

I guess Rosaline had the personal qualities and sensitivity that enables her to observe the current state of people’s inner reality. It is the ability to see oneself’s and the world of others as it really is. I guess that is the gift of an artist. Betty Edwards in her book “Drawing with the left side of the brain” mentions that drawing is not a difficult task. The difficulty lies in “seeing”. Everyone who sees the things in that especial way that artists are able to see is capable to drawing. Many artists have mentioned the fact that they see things differently when they are drawing or painting and normally they are put in another perceptual and conscious level which is different from their common operation level. In this subjective state, even the perception of time is altered, actually, it almost disappears. They feel aware and awake yet relaxed and liberated from anxiety. They experience a pleasant and maybe even mystic mental activity.

Maybe that was what I was experiencing that morning. Maybe that was the artist in me! Anyway, I just thought that whoever develops this kind of perception is much more creative and capable of bringing about new things and solutions in the world. Rosaline taught me that through her examples of how she started her new business from the scratch.

Rosaline’s photo studio is at Rua das Flores in Curitiba. If you need photos for documents, weddings, parties, books, etc, I recommend you to go there: https://www.facebook.com/EstudioJC.Ctba

She also writes a blog and you can find some great stories there: http://www.blogger.com/profile/09851047826945391047

By the way, have you ever met “a stranger” who appeared to be so familiar to you that you ended up having very interesting and meaningful conversations, creating an unexplainable connection? Please share your stories in the comment box.


[1] Belas Artes is a famous art’s school in Curitiba. For students to pass the exam they have to prove their talent for arts and undergo very demanding tests.


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Sincronicidade – Evento 3: O encontro com uma fotógrafa, uma grande artista que me deu uma lição de criatividade

Meus últimos posts foram relatos de um dia cheio de sincronicidades: uma série de eventos “mágicos” que acontecem de forma quase inacreditável. Este é sobre um evento que aconteceu no mesmo dia e teve um grande impacto sobre mim.

Depois de conhecer Celia e suas duas filhas (ver post sobre sincronicidade – Evento 2). Eu tive um encontro com uma fotografia que me serviu de comprovação para algo que venho aprendendo na facilitação de processos de mudança e transformação de sistemas sociais. Especialmente a citação abaixo começou a fazer mais sentido:

“O sucesso de uma intervenção depende da condição interior da pessoa que está intervindo.” (Bill O’Brien, ex-CEO da Hanover Insurance ).

O que é esta tal de “condição interna”?

Naquele dia eu saí de casa me sentindo muito leve. Isso não tem sido a regra ultimamente. Em tempos de mudança , mudando de um país para o outro, diante de situações desconhecidas e criando uma nova base da vida, eu tinha a expectativa de conviver com a tensão. Por isso tenho Procurado manter algumas práticas como meditação, técnicas de respiração, Qi -gong e ioga que realmente me ajudar a restaurar o alinhamento, o equilíbrio e me maneter relaxada em tempos turbulentos.

Naquela manhã eu experienciei a prática de meditação de uma maneria mais profunda e comecei a sentir uma leveza incomum, uma sensação de paz. Enquanto caminhava pelas ruas a procura de um lugar onde eu poderia tirar fotos de passaporte, eu ia pensando sobre o que poderia ter causado aquela sensação. Havia uma tranquilidade, uma plenitude – muito difícil encontrar palavras para descrever isso aqui. Enquanto eu caminhava, eu ia observando meus mundos interior e exterior, eu andava alerta, mas completamente relaxada. O que poderia ter causado essa sensação em tempos onde o estresse é a tendência global? Observei outros pedestres e a maioria deles parecia estar com pressa. O que torna possível para uma pessoa manter a sensação de paz e relaxamento dentro de grandes cidades, sob pressão, em fases de transição e diante da incerteza (também uma tendência global)? Eu não conseguia encontrar respostas, mas isso não me incomodou.

Fiquei feliz em ver um pequeno sinal indicando “fotos de passaporte aqui”. Eu precisava urgentemente resolver um processo burocrático e precisava das fotos. Burocracia vem consumindo boa parte do meu tempo desde que retornei ao Brasil . Eu não poderia ficar mais feliz ao ler recentemente no jornal que o Brasil foi elevado à posição 118ª (em 2013, era 116 ª em 2012), entre 189 países em termos de burocracia, segundo o Banco Mundial.

Finalmente eu consegui tirar as fotos tão necessárias. Só precisava esperar um pouco para recebê-las . A fotógrafa, trabalhando em seu computador, vira-se de repente para mim e pergunta: ” O que você faz profissionalmente?”
Em minha mente comecei a pensar: “Esta pergunta está em todo lugar desde que voltei para o Brasil. Tenho a impressão de que todo mundo que me encontra pela primeira vez, ou depois de muito tempo, faz esta pergunta. Agora … até mesmo no estúdio fotográfico? O que está acontecendo?”

Tem sido difícil para mim explicar o meu trabalho atual em simples palavras. Fica mais fácil quando sei um pouco mais sobre o contexto da pessoa que está fazendo a pergunta, pois assim posso facilmente dar exemplos concretos. Mas, nesse contexto, eu não conseguia encontrar uma única frase que explicasse o meu trabalho sem usar jargões do tipo “processos de inovação, lidar com a complexidade e a incerteza, mudança baseada na consciência, etc”.

Eu respondi educadamente : “Eu estudei engenharia civil, mas o que eu estou fazendo atualmente tem pouco a ver com isso.”

Ela disse: “Eu pensei que você fizezse algo relacionado a artes”.

“O que faz você pensar isso?” Perguntei curiosa.

“Eu não sei. Talvez por você irradiar algo leve, tranquilo e relaxado”. Ela respondeu.

Eu pensei: Oh, meu Deus! Isso é incrível. Alguns minutos atrás, eu estava me perguntando por que eu estava me sentindo em tal estado de relaxamento e tranquilidade e agora alguém me dá o mesmo feedback me olhando de fora? Agora eu estava realmente interessada na conversa e continuei perguntando:

” Mas o que exatamente faz você perceber isso?”

Ela disse que, ao longo dos anos, começou a desenvolver um senso para pessoas. Ela olha para elas através de suas lentes – boa metáfora para uma fotógrafa! – Ela continuou:

“Algumas pessoas são muito pesadas… entende o que quero dizer?” Ela tinha dificuldades para encontrar palavras para descrever o que queria dizer e deu um exemplo:

“Eu costumava pintar e trabalhar muito com arte. Mas parei de fazer isso por um tempo. Não sei se também tinha a ver com o momento difícil pelo qual eu estava passando, mas eu comecei a me sentir muito pesada. Me sentia estressada, tensa…”

Ela me contou como começou a trabalhar com fotografia ao assistir uma fotógrafa profissional: “Abri esta loja, e comecei a trabalhar com fotografia por conta própria, aprendendo a fazer na prática. As coisas começaram a acontecer e a dar certo sem muito planejamento. Então eu combinei fotografia com o negócio de aluguel de roupa – que estava na sala ao lado – porque eu vi em casamentos e festas que as pessoas precisavam disso também”. Ela apontou para um vestido que estava pendurado lá e disse: “Olhe para aquele vestido – Eu mesma bordei. E eu nunca fiz cursos ou aulas, só experimento e faço. Minhas mãos criam o padrão no momento. Com a fotografia foi o mesmo. Eu só comecei! E assim foi também com o desenho e a pintura. Agora eu deci

di levar as artes mais a sério e eu estou estudando na Belas Artes. E eu me sinto muito leve novamente.”

The photographer Rosaline Corazza and her drawings (crayon)

The photographer Rosaline Corazza and her drawings (crayon)

Rosaline era seu nome. Ela me mostrou os desenhos que estavam em execução, parte dos trabalhos que precisava entregar na Belas Artes. Eles refletiram imagens que tinham tudo a ver com a minha experiência vivendo na Zâmbia e viajando pela África, algo que ainda estava muito vivo na minha memória. Isso, de alguma forma, me tocou.

Eu acredito que a Rosaline tinha as qualidades pessoais e a sensibilidade que lhe permitiam observar o real estado interior das pessoas. É a capacidade de ver a si mesmo e ao outro como realmente são. Eu acho que é este o dom de um artista. Betty Edwards em seu livro “Desenhando com o lado esquerdo do cérebro” menciona que o desenho não é uma tarefa difícil. A dificuldade está em “ver”. Todo mundo que vê as coisas desta maneira especial que os artistas são capazes de ver, são também capazes de desenhar. Muitos artistas têm mencionado o fato de que eles vêem as coisas de forma diferente quando estão desenhando ou pintando e, normalmente, são colocados em um outro nível de percepção consciente que é diferente do seu nível comum de consciência. Neste estado subjectivo, até a percepção do tempo é alterada – na verdade, ela quase desaparece. Eles se sentem alertas, acordados, mas relaxados e livres de ansiedade. Experimentam uma atividade mental agradável e talvez até mesmo mística.
Talvez isso definisse o que experienciei naquela manhã. Era este o artista dentro de mim?! De qualquer forma, pensei que este tipo de percepção faz a pessoa ficar muito mais criativa e capaz de trazer ao mundo novas coisas e soluções. Esta foi a lição que Rosaline me deu através de seu exemplo e de como começou seu novo negócio do zero.

O estúdio fotográfico de Rosaline é na Rua das Flores em Curitiba. Se precisar de fotos para documentos, casamentos, festas, books, etc, dê uma passadinha por lá: https://www.facebook.com/EstudioJC.Ctba

Ela também escreve um blog e você pode encontrar ótimas histórias por lá: http://www.blogger.com/profile/09851047826945391047

A propósito, você já teve um encontro com uma pessoa aparentemente desconhecida que parecia ser tão familiar, que acabou tendo conversas muito interessantes e significativas, criando uma conexão inexplicável? Compartilhe suas histórias na caixa de comentários!


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Syncronicity – Event 2: What a meaningful coincidence! This is the piece of information I was looking for!

Continuing with what happened before I met Kitty and the others who I mentioned in my last post: I went to town to certify a document from the university that I would need for a certain bureaucratic process. I thought I had brought from Germany all documents I would need here in Brazil but, specifically that one, I forgot. I called Steffen, my husband, who was by that time still in Germany, to ask him to scan it and send to me via email, what he immediately did. When I wanted to print it, I opened my email box to find the document and found myself suddenly talking on the phone while deleting a row of emails using “shift-del” and… oh no! Too late… In the same row I clicked unintended in the email with the document I most needed in that morning. It was irrevocably deleted. (This is the opposite of presence! – See previous post about presence and synchronicity). I called Steffen but he was not at home anymore and therefore unable to send the document to me again before noon. I went ahead with my plans for the day. Maybe I could go on with the process and hand over only that missing document later. But nothing turned out the way I wanted. At least nothing related to that bureaucratic process.

When things do not work out as I expect, I have a tendency to be upset. But this was not the case in that day.

As I was forced to change my plans for the day, I had more time until the meeting with Kitty and the others, and decided to look for a restaurant that would be new for me to try. I took my mobile phone and typed “vegetarian Curitiba”. Mobile internet is something that still impresses me. I am looking forward to the time my children will ask me “How was life possible before internet?” I found a list of restaurants nearby and decided to have a look at the “Super Vegetariano” which was just some blocks away. Something was strange about that place and I did not stay. I looked for another one. I decided to pick the next one on the list which was almost exactly where I was standing when I decided to go to the first restaurant. If I just had looked around more carefully, I would have noticed that I was already standing in front of the restaurant I was looking for! I went back there and the place convinced me immediately. What is this invisible manifestation of a place that makes it inviting or uninviting? What made me feel better in one place and not in the other? In the ladies room I suddenly met Celia, a good friend of my mom, who was there having lunch with her two daughters. We meet “by chance” looking at the mirror in the ladies room. We looked surprised at each other and she asked: “Ana? Are you already living in Curitiba? – Please come and meet my daughters.” We started chatting and eventually had lunch together. In that fantastic one hour we spent together I felt like being in a conversation that was planned for me to be in. The girls, hopefully new friends I have gained now, provided me with some pieces of information that I really needed and did not know where to find yet. That was exactly what I was looking for. What a meaningful coincidence! Is this how synchronicity plays out? I learned later that it was a very rare event to meet the mother and the two daughters together, since one of them lives in São Paulo and was just visiting her mom and the other one is usually very busy.

If things had worked out as I had planned, I would probably not have met Celia and had that incredible lunch time together with her daughters! Lesson learnt: If things have not worked out as you planned, there might be better plans for you!

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Não sou vegetariana, mas recomendo um prato vegetariano!